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O BRASÃO DA FAMÍLIA BORSARI

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HERÁLDICA 

         A heráldica refere-se simultaneamente à ciência e à arte de descrever os brasões de armas ou escudos. As origens da heráldica remontam aos tempos em que era imperativo distinguir os participantes das batalhas e dos torneios, assim como descrever os serviços por eles prestados e que eram pintados nos seus escudos. No entanto, é importante notar que um brasão de armas é definido não visualmente, mas antes pela sua descrição escrita, a qual é dada numa linguagem própria – a linguagem heráldica.

          Ao ato de desenhar um brasão dá-se o nome de brasonar. Para termos a certeza de que os heraldistas, após a leitura das descrições, estão a brasonar corretamente, criando brasões precisos e semelhantes entre si, a arte de brasonar segue uma série de regras mais ou menos estritas.

          A primeira coisa que é descrita num escudo é o esmalte (cor) do campo (fundo); seguem-se a posição e esmaltes das diferentes cargas (objetos) existentes no escudo. Estas cargas são descritas de cima para baixo, e da direita (dextra) para a esquerda (sinistra). Na verdade, a dextra (do latim dextra, -æ, «direita») refere-se ao lado esquerdo do escudo, e a sinistra (do latim sinistra, -æ, «esquerda») ao lado direito, tal como este é visto pelo observador. A razão porque isto sucede prende-se com o fato de a descrição se referir ao ponto de vista do portador do escudo, e não do seu observador.

          Embora a palavra escudo seja comumente utilizada para se referir ao brasão de armas no seu todo, na realidade, o escudo é apenas um dos elementos que compõem um brasão de armas. Numa descrição completa, o escudo pode ser acompanhado por outros elementos, como suportes, coronéis, listéis com motes (ou lemas).

          No entanto, muitos escudos apresentam por vezes duas formas distintas: uma complexa, e outra simplificada, reduzida ao escudo propriamente dito (o que sucede por vezes quando há pouco espaço para inserir o brasão de armas maior). Inúmeros países apresentam assim as chamadas armas maiores e armas menores.

 REGRAS DE HERÁLDICA

         Em geral (mas nem sempre) o escudo tem o formato de um cálice, cuja proporção é de sete unidades de largura para oito de altura. Outras formas possíveis são a cabeça de cavalo, o luzeiro (escudo em formato de estrela, caso das armas nacionais do Brasil) e os escudos ovais.

          Os escudos podem ser de oito cores, duas delas chamadas de metais (branco, chamado "prata", e amarelo, chamado "ouro"), e as demais chamadas de esmaltes, a saber: azul, chamado "blau"; vermelho, chamado "goles", verde, chamado "sinopla"; magenta, chamado "púrpura"; bege, chamado "carnação" e o preto, chamado "sable".

          Como regra geral não se sobrepõem metais a metais, nem esmaltes a esmaltes. Quando a sobreposição é necessária, diz-se que as cores são "cosidas" (ex.: escudo de ouro com uma cruz cosida de prata).

          Outro tipo de elemento utilizado na heráldica são as peles, que podem ser os arminhos, representado por várias mosquetas pretas em fundo branco, e os veiros, representados por vários heptágonos alternados em azul e branco. As peles podem se sobrepor a qualquer esmalte ou metal. Essas peles podem apresentar variações, como os "contra-veiros" e os "arminhos-d'ouro".

          O escudo pode ter várias partições:

              Cortado (dividido na horizontal)

         Partido (dividido na vertical)

         Talhado (dividido diagonalmente a partir do canto direito)

         Fendido (dividido diagonalmente a partir do canto esquerdo)

         Esquartelado (cortado e partido)

         Franchado (fendido e talhado)

         Gironado (esquartelado e franchado)

         Terciado (dividido em três partes). Pode ser:

             Em pala (três partes verticais);

             Em faixa (três partes horizontais);

             Em banda (três partes, a do meio diagonal a partir do canto esquerdo);

             Em barra (três partes, a do meio diagonal a partir do canto direito).

          Um elemento heráldico não pode ocupar duas partições simultaneamente.

          O listel, que contém o mote, geralmente é escrito em latim e, caso haja necessidade de colocar números, deve ser sempre em algarismos arábicos.

          Na parte superior pode existir um elmo, podendo ou não conter paquifes (feixe de plumas coloridas). Tudo o que se coloca acima do elmo é chamado de timbre. Aos elementos colocados lateralmente ao escudo dá-se o nome de suportes.

          Certos brasões de nobreza, como os de reis, imperadores, príncipes e duques trazem como timbre sempre uma coroa acima do elmo, que pode assumir diferentes formatos de acordo com o grau do título de nobreza.

 BRASÃO

         Um brasão ou brasão de armas, na tradição européia, é um desenho especificamente criado - usando símbolos e cores - com a finalidade de identificar indivíduos, famílias, clãs, cidades, regiões e nações.

          Não se sabe com rigor quando é que esta prática teve início. Os brasões não eram fornecidos ao acaso para as pessoas. Tiveram as suas origens em atos de coragem e bravura efetuados por grandes cavaleiros. Era uma maneira de os homenagear e ás suas famílias. Com o passar do tempo, como era um ícone de status, passou a ser conferido a famílias nobres no intuito de identificar o grau social da mesma, assim sendo, somente os heróis ou a nobreza possuíam tal ícone e o poderiam transmitir a seus descendentes.

          A partir do séc. XIX, com a ascensão ao Poder da Burguesia e o declínio da Aristocracia, o Brasão foi perdendo a sua importância. A Proclamação da República terminou com o estado de graça dos nobres, que passaram a ser pessoas comuns. Atualmente os brasões são muito freqüentes e fáceis de encontrar. Cada Município, distrito e família - tem o seu, assim como a sua bandeira, onde figura o brasão, motivo de orgulho para muitos. Várias coletividades e clubes desportivos também adotaram para seu símbolo um brasão alusivo a si.

 PRINCIPAIS FIGURAS HERÁLDICAS

O ELMO 

         Na heráldica, o elmo ou casco do brasão pode apresentar-se em diversas posições e formatos. De acordo com a sua posição pode-se inferir alguma informação sobre o seu portador. Por exemplo, um elmo perfilado para o lado esquerdo significa bastardia.

          O elmo dos imperadores e reis apresenta-se de frente, com a viseira aberta, sem grades ou então com onze grades no sentido vertical. Este formato é muito comum na heráldica francesa. Nesta classe de elmos, os mesmo devem ser representados no metal (cor) ouro. Os príncipes herdeiros, descendentes de imperadores ou reis, apresentam seus elmos semi-abertos e no metal prata. Os altos dignitários, como os duques, usam o elmo também em prata e com nove grades. Os elmos dos marqueses são muito semelhantes aos dos duques, exceto pelo número de grades, totalizando sete. Os condes e viscondes têm o elmo representado em prata bronzeada, sendo que na França os elmos desta categoria são de aço, perfilados, e apresentam apenas três grades.

          Quanto à situação do elmo sobre o escudo é interessante observar que, se o indivíduo for fidalgo há pelo menos quatro gerações, o elmo deve ser representado olhando para a direita e com a viseira levantada (aberta). Para os nobres até três gerações o elmo também deve ser representado olhando para a direita, mas a viseira deve ser representada fechada.

OS METAIS E OS ESMALTES 

         Na representação dos brasões de armas são utilizados apenas dois tipos de metais, o ouro e a prata, e cinco tipos de esmaltes, a saber: vermelho, azul, verde, púrpura e negro. Os desenhos que representam o corpo humano ou suas partes podem ser usados na sua cor natural, também conhecida como "carnação". O termo esmalte tem origem nas palavras "hasmal" (hebraico) e "esmaltium" (latim) que referem-se ao preparo de um verniz vítreo com grande aderência, que era usado para proteger os metais da oxidação.

          O ouro pode receber outros nomes, em determinadas circunstancias: nos escudos dos reis passa a ser chamado de sol; nos brasões da nobreza em geral é chamado de topázio. Aqueles que tem este metal no seu escudo estavam obrigados, na idade média, a fazer bem aos pobres e a defender seus senhores, lutando por eles até o final das suas forças.

          O metal prata, quando presente nas armas dos soberanos, recebe o nome de lua. A prata está associada com a inocência e pureza, e aqueles que a tinham em seu brasão estavam obrigados a defender as donzelas e a amparar os órfãos.

          O azul chama-se júpiter quando aplicado às armas reais, safira nas armas dos nobres titulados ou simplesmente azul nos escudos da nobreza em geral. Este esmalte significa nobreza, majestade, serenidade e os seus portadores estavam obrigados a fomentar a agricultura e também a socorrer os servidores despedidos injustamente ou que se encontrassem sem remuneração.

          A cimeira representa o tufo que os cavaleiros usavam sobre o elmo. Atualmente, empregam-se como cimeira, em maior escala, pequenas figuras de animais. Em nosso caso, poderíamos, por exemplo, usar como cimeira a repetição, em ponto menor, do globo do escudo, ou a árvore, ou outra figura de valor simbólico e decorativo. Pensou-se, todavia, que ela poderia ser omitida.

          Os lambrequins representam os penachos que caíam do elmo. Para nós é dispensável, pois não somos militares.

 

          No brasão, à maneira universal, o mote deverá ser inscrito no verdadeiro gótico, sendo de notar que a caligrafia geralmente conhecida como gótica chama-se, na realidade, inglesa antiga.

 

O TOURO

 

         O touro é, segundo Gevaert, o sinal da força, o que satisfaz o simbolismo, e as figuras quiméricas vêm sendo usadas nos brasões desde a fase clássica da Heráldica. Ainda hoje são vistas nos escudos mais nobres e antigos. As figuras, ao natural, apareceram justamente na fase de decadência dessa arte.

 

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